Chegou ao fim. Os
cotovelos, joelhos e braços já não agüentavam mais, o corpo pedia repouso. Os
elencos fracos, as crises internas, os traidores, as ineficientes diretorias e
a vontade de ser gente como nós, contribuíram para isso. Cedo ou tarde todos saberiam
que a santidade deixaria o posto, para a honra. Este momento estava próximo. Não
poderia ser melhor, ou pior. Não poderia ser menos surpreendente. Assim como
suas defesas.
Quarta feira deixou os
gramados um herói. O Santo de luvas, da religião alviverde. O herói da nação
verde amarela e dono das mãos que garantiram o penta. O goleiro das causas impossíveis.
O mais completo da história usando as mãos. O goleiro que se multiplicava em
baixo dos paus. Amado por muitos, respeitado por todos. Um Santo, um homem. Marcos
é isso, um caipira que não soube fazer marketing, e que fez disso sua principal
propaganda.
Deixa os campos para
entrar para a história, não o maior herói da minha geração, mas sem dúvidas o
mais carismático e importante para a parte verde e branca da história. Quando
ouvimos aquela história de que ninguém ganha o primeiro milhão prejudicando
alguém, podemos usar Marcos para derrubar esse chavão. Ele errava, ria e dizia
que errou, operava milagres e dizia que o mérito era do time. Teve uma carreira
irretocável. E nos deixou o exemplo do homem, humilde, carismático e de princípios.
Tentei usar os 140
caracteres das redes sociais para tentar descrever o que eu senti e vi desde
moleque o vendo jogar. É impossível. Marcos é eterno, milagreiro, fenomenal,
santo, ou simplesmente Marcos. Insubstituível. Um exemplo para as futuras
gerações que estão entrando no latifúndio verde do futebol. Chegou a hora de
seus cotovelos, braços e joelhos terem o merecido descanso. Chegou a hora de
parar com o futebol, que sempre teve e terá espaço para ele.
Da mesma forma, que foi
uma semana triste, foi também uma semana que me deixou muito feliz, pois sei
que vou poder contar aos meus filhos e netos que vi o maior goleiro da história
do futebol jogar e se aposentar. Mas, ao mesmo tempo sei que jamais vou
conseguir explicar o que foi Marcos completamente. Uma coisa é certa, existem e
existiram goleiros, bons goleiros, ótimos goleiros, goleiros mitos, mas santo
daquele que operava milagres, existiu um. Esta semana o gol ficou mais
triste. Chegou ao fim o ciclo do último jogador de todas as torcidas. Obrigado
por proporcionar tudo isso, Marcos Roberto Silveira Reis. Ou simplesmente São
Marcos do Palestra Itália.

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