A Índia
é o segundo país mais populoso da Terra, com aproximadamente 1,2 bilhões de
pessoas. Provavelmente, em um curto período, deverá ocupar a posição da China
como país mais populoso do planeta. A independência da Índia se consolidou a pouco mais de 64 anos, um período bastante curto, avaliando-se a
história em um contexto geral.
Um dos
indivíduos que mais contribuíram para isso foi Mahatma Gandhi. Após a
independência, o mesmo foi indagado se a Índia perseguiria o estilo de vida
britânico e teria respondido o seguinte: “A Grã-Bretanha precisou de metade dos
recursos do planeta para alcançar sua prosperidade; quantos planetas não seriam
necessários para que um país como a Índia alcançasse o mesmo patamar?”.
A
sabedoria de Gandhi em 1947 já indicava que os modelos para desenvolvimento
precisavam mudar, assim como o estilo de vida das nações desenvolvidas e a
economia mundial que deveriam ser reestruturados levando em consideração o meio
ambiente.
Em
nosso país a legislação ambiental foi criada em 1934, passando por uma
reformulação em 1965. Até pouco, a
sustentabilidade e a preocupação com o Código Ambiental permaneceu extremamente
abandonada pela sociedade e autoridades brasileiras, porém, de uns anos para
cá, isso começou a mudar. Assim, após a
aprovação na Câmara dos Deputados nas próximas semanas o Senado brasileiro deve
começar a votar o polêmico PLC 30/2011, que trata do “novo” Código Florestal.
Polêmicos
e incoerentes por diversos pontos serem contrários às recomendações feitas pela
Academia Brasileira de Ciência.
São
eles: A compensação das APPs (áreas de Preservação Permanentes) através das áreas de reserva legal (áreas que ficam dentro das propriedades, onde devem ser realizadas a sustentação da
biodiversidade, fauna e flora nativas e conservação dos processos ecológicos).
Ainda,
o absurdo da anistia que perdoará as multas dos proprietários de
terras que desmataram as áreas de preservação permanentes e de reserva legal em
todo período anterior a 2008, não exigindo a recuperação das áreas desmatadas
ilegalmente.
Também,
passar a competência de decidir o que vai se plantar para recompor a vegetação
devastada, como por exemplo, nas margens de rios, aos governos estaduais.
E o ponto que deixa a legislação mais “torcível” para as propriedades agrícolas de acordo com seus tamanhos em detrimento das propriedades menores de agricultura familiar, entre muitos outros pontos injustos.
E o ponto que deixa a legislação mais “torcível” para as propriedades agrícolas de acordo com seus tamanhos em detrimento das propriedades menores de agricultura familiar, entre muitos outros pontos injustos.
Visando
resguardar as matas brasileiras, foi criado um Comitê Brasileiro em Defesas das
Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, uma coalizão formada por 163
organizações da sociedade civil do país. Espera-se que a aprovação do novo
código não ocorra de afogadilho como parece se pretender e sim seja feita uma
correção dessas questões vitais, caso contrário se for aprovado, significará um
retrocesso em relação à legislação atual, um incentivo a cultura da impunidade
anistiando multas e crimes ambientais e o enfraquecimento do combate ao
desmatamento para não dizer seu incentivo.
Um novo
código florestal justo, atual e eficiente seria um que procurasse: apoiar e
incentivar a recuperação das áreas desmatadas ao invés de reduzir sua proteção.
Realocar as propriedades que ocupam os espaços das vegetações nativas nas
encostas e topos dos morros.
Criar
condições de adequação para quem quer cumprir a lei e reconhecer e premiar
estes.
Punir e
multar quem lucrou com o crime ambiental. Dar tratamento diferenciado ao
produtor familiar e populações tradicionais em relação aos grandes produtores.
Fiscalizar
e multar severamente e criminalmente quem praticar o desmatamento, e em médio
prazo criar condições para monitorar e assim acabar com isso no país. Não apenas manter as
porcentagens atuais dos biomas, mas procurar aumentá-las.
Dessa
forma, impedindo que o meio ambiente seja
mais um latifúndio da impunidade nacional. Ajudando os produtores familiares e
as populações que sempre conviveram de forma sustentável com o seu bioma a
preservarem suas áreas fazendo a conservação equilibrada. Punindo os que sempre
desprezaram nossas matas e cursos d´água e se acham acima da lei.
E,
acima de tudo a sociedade e as autoridades precisam parar de olhar o tema
ambiental de forma míope, pensando só nos lucros e dividendos da agricultura.
Só seremos soberanos cumprindo uma legislação ambiental que
impeça a destruição do meio ambiente. Desta forma, acidentes como os que
aconteceram nas encostas e morros, de RJ, SC e SP, podem ser evitados. Se
mudarmos isso, começamos a favorecer diretamente fauna e flora e a comunidade
que desfruta dessa riqueza natural. Resta a nós brasileiros, políticos ou não,
decidirmos, se queremos fazer valer a frase do “gigante pela própria natureza”,
ou se vamos deixar como a maioria das potências mundiais, a natureza em segundo
plano.

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