segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Terra de ninguém

Certamente, uma das coisas que mais lembramos ao ouvir o hino e ver a bandeira brasileira nos últimos tempos, é que o Brasil será sede da próxima Copa do Mundo. Logo, lembramos de uma seleção de futebol que não encanta, de estádios atrasados ou superfaturados, serviços de transporte público ineficazes e um sistema aeroviário que quando exigido não atende nem a demanda interna. São falhas, atrasos, dinheiro mal gasto e a incerteza de qual será o legado que o mundial de futebol deixará a nosso país e até mesmo, se ele vai acontecer. Em um raciocínio rápido, encontramos como responsável por esse conjunto de infelizes e ineficientes serviços, o atual governo que é ilustrado por nossa presidenta Dilma. Assim como no futebol, na política, arte e em diversos outros setores; no Brasil adaptamos junto aos veículos formadores de opiniões um ideal de valorizar e contrastar sempre os fatos ruins em detrimento dos fatos bons. Assim, foi o caso do deputado Romário, na maneira diferente de tratar o fato de sua carteira aprendida pela blitz da lei seca e o fato da alteração honrosa de uma lei referente aos deficientes físicos. Ou ainda, a “exorcização” de Dunga, principalmente pela mídia, após vencer tudo que disputou salvo a Copa do Mundo da África do Sul. Na ótica deste mesmo ideal, passaria despercebido para grande parte da população, enfim uma boa atitude do atual governo (assolado em intermináveis denuncias e casos de corrupção em muitas de suas pastas). Está semana em reunião extraordinária com a FIFA, o governo brasileiro entrou em atrito com a entidade por conta de certos pontos do texto da Lei Geral da Copa serem inconstitucionais, perante nossa carta magna. São exigências da FIFA a extinção dos “meio-ingressos” para estudantes, idosos, professores para as vendas de ingressos da Copa. Também, exige a entrada e saída de funcionários da FIFA no país sem o cumprimento das vias apropriadas como a exigência de visto com tempo de permanência. Ainda, deseja autorizar a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, ponto a que deve ser discutido com os estados e seus respectivos governadores.Entre outros inúmeros temas polêmicos referentes a Lei Geral da Copa. Acertadamente, o governo federal deseja que o texto da Lei Geral da Copa respeite a nossa Constituição Nacional, o Estatuto do Idoso e o Estatuto do Torcedor. Caso contrário, torna-se impossível as "determinações" da FIFA para a realização do evento serem aceitas, a não ser que fosse decretado um Estado de Exceção. Mesmo que, a discussão esteja em fase inicial a FIFA, tem força para descumprir todos os pontos da nossas exigências, vinculada a grandes empresas e patrocinadores bilionários, como por exemplo, empresas de cerveja e de vendas de ingressos. Não se mostra nem um pouco interessada em abrir mão das suas exigências, pois segunda nota da própria entidade, a África do Sul respeitou estes pontos em 2010 e Rússia e Catar já aceitaram os termos para 2018 e 2022. E como vivemos em um país onde o dinheiro compra muitos, provavelmente, vamos ter de engolir mais essa. Em suma, não basta os superfaturamentos dos estádios e obras públicas voltadas para o mundial, os preços abusivos que serão cobrados nos ingressos e o jeitinho brasileiro arrumado, que será decretar feriado nos dias da Copa, para tudo funcionar bem. Ainda por cima, Blatter e sua trupe de gringos engravatados tentam transformar terras tupiniquins em uma terra de ninguém, tentando assolar nossas leis e tornando nosso país dependente das normas estabelecidas pela entidade e pelos interesses de seus patrocinadores. Um verdadeiro “tapa” em nossa cara. Em suma, a cada dia mais parece que essa Copa do Mundo se transforma em mais uma penitência para o trabalhador brasileiro pagar. Resta-nos fiscalizar e esperar para que o governo consiga fazer valer nossos direitos e transforme a Copa em algo que deixe legados e não mais um peso nas costas e bolsos do povo brasileiro.

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