quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Uma paz distante e alguns exemplos


Em relação à sétima arte, posso dizer que não sou um expert e nem mesmo um leigo do assunto. No decorrer de minha infância e adolescência em Piraju, duas coisas que não faltavam em casa eram filmes e livros. Assim, acredito que aprendi diferenciar um grande filme de um filme para passar o tempo. Um dos filmes que mais marcaram minha infância foi The Goonies, todo seu enredo aventureiro inspirou uma das minhas principais diversões quando criança em Piraju: Bombas. Isso mesmo, bombas, eram artesanais e meus pais compravam em uma casinha de madeira perto do antigo supermercado Estrela, e deviam dar uma grande dor de cabeça a eles.
Por falar em bombas, um dos meus filmes preferidos, já na fase adulta, é sem dúvida Paradise Now um filme Palestino que conta a história de Said e Khaled, dois jovens deste país recrutados para um atentado suicida e que no decorrer da história são humanizados através do contraste de pobreza da Faixa de Gaza frente à riqueza do estado israelense. Mas o principal objetivo do tratado é acabar com o paradigma de que no conflito arabe-israelense existe dois personagens, um bom e outro mau.
Entretanto, as últimas semanas mostraram que este paradigma está longe de deixar de existir, com a volta dos conflitos na região. O governo sionista de extrema-direita, não aceita o estado Palestino, faz o que quer na região expulsando quem quer dos autodenominados territórios do estado israelense e segrega israelenses de palestinos através de um muro. Tudo isso, com apoio ou no mínimo conivência do estado americano. Por outro lado, o panorama político Palestino, é atualmente controlado pelo grupo terrorista Hamas que por sua vez também não aceita o estado judeu e ainda por cima, trava uma guerra política contra membros de grupos moderados como o Fatah e ANP (Autoridade Nacional Palestina) que buscavam, antes da suspensão dos Tratados de Paz, uma resolução pacifica para a região em negociações com os também políticos moderados de Israel.
Para piorar, as revoluções democráticas que atingem o Médio Oriente ainda que boas para a democracia local quase inexistente acabaram transformando a região em um barril de pólvora. Por exemplo, o Egito (um dos estados árabes de mais força na região e que reconhece o estado judeu) é hoje no âmbito político um país indefinido, e caso os movimentos democráticos percam força, existe grande possibilidade de ser governado por jihadistas da Liga Muçulmana. Os mesmo que invadiram a embaixada israelense na semana passada e que podem destruir o sonho democrático do estado assolando sua secularidade e trazendo dramáticos problemas a região com seu ideal de ódio ao ocidente.
Eventualmente, a mesma coisa poderá acontecer com a Líbia, Kuwait, Barheim e muitos outros países árabes. Onde os atuais governos na maioria monárquicos ou ditaduras são coniventes com a política petrolífera americana e o estado israelense. Porém com a derrocada dos atuais governantes, assim como no Egito, caso os movimentos democráticos não continuem e perca força, um grande problema pode surgir primeiro internamente com jihadistas transformando os estados em teocracias (assim como a mascarada ditadura Iraniana) e externamente travando uma guerra pró um estado Palestino, não relevando sequer sua criação através de um processo pacífico e “contratual” através de negociações.
Em suma, a paz na região foi mais uma vez adiada. Não só o paradigma de bom e mau continua existindo, como, o ódio e as diferenças milenares da região também, sejam elas, entre judeus, árabes, curdos, cristãos ou ateus. No entanto, atualmente as populações do Oriente Médio têm em mãos, na voz e em suas atitudes o melhor meio para se atingir a paz, que é a democracia dos países da região como estados laicos, deixando a política livre dos ideais religiosos. Resta-nos esperar, torcer e imaginar, assim como acontece com Said no fim de Paradise Now, se a democracia, a paz e o bem comum começarão a se tornar realidade em uma região tão castigada ou se as guerras contra o ocidente e a opressão voltarão existir através de estados terroristas. Disto tudo, ficam para os brasileiros os exemplos dos movimentos sociais, em busca de mais ética, direitos e uma real democracia.

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