(arte: Latuff, 2008)
Esta foi uma semana agitada por conta da instabilidade do mercado financeiro, do seqüestro ao ônibus no Rio de Janeiro, do vandalismo e protestos em Londres e por fim culminou na sexta crise de corrupção ministerial do atual governo em apenas dois meses. Este último fato me faz lembrar um fato ocorrido há algum tempo em Maringá-PR, onde um político foi pego desviando dinheiro público. Após sua, demorada, condenação em ultima instância, houve um protesto em frente à câmara de vereadores de Maringá, em que a aglomeração calorosamente gritava: Ladrão, Ladrão, Ladrão!!! Eis quando o grupo é pego de surpresa por uma senhora no alto de seus setenta e poucos anos que grita: Assassino! Indagada, sobre o porquê de ter gritado isso por um dos jovens do grupo a senhora responde mais ou menos isso: “Veja bem meu jovem, a partir do momento em que ele desviou recursos da saúde e educação, quantas vidas não foram ceifadas ou modificadas pela escassez de recursos nestas áreas, por conta de seu ato.”
Escassa também é esta visão em nossa sociedade atual, exemplos como esse são raros. Isto é, formadores de opinião e população têm uma visão deturpada do problema da violência no Brasil. Dessa forma, a imprensa trata o corrupto em alto e bom som de vossa excelência, mesmo que o dinheiro tenha sido armazenado nas meias ou cueca ou acompanhado de uma oração. A população não protesta ou se revolta com um corrupto que faz seu jantar no mesmo restaurante que ela, em razão de estarem no mesmo ambiente social e econômico. Por outro lado, quando uma pessoa é assaltada no farol ou assassinada logo desejamos que o bandido sofresse na cadeia ou que o assassino seja morto pela policia. Da mesma forma, quando vemos o Movimento Sem-Terra pensamos “cambada de vagabundos”. Não que não haja vagabundos entre estes movimentos, ou pessoas má intencionadas matando e roubando, há e elas devem ser punidas. Mas precisamos analisar quais são os criminosos mais perigosos os que roubam para comer, ou que não tem terra para plantar, ou aqueles de terno e gravata que assolam ainda mais os problemas do país.
O “X” do problema é esse. O brasileiro precisa começar a entender que o bandido do colarinho branco nada de diferente tem dos assassinos cruéis, na verdade eles são da mesma forma, assassinos-indiretamente e acabam causando mais mal a sociedade que os bandidos comuns. Afinal, inúmeros hospitais perderam recursos com “sanguessugas” e inúmeras escolas foram prejudicadas por “mensaleiros”. O reflexo disso é idoso morrendo nas filas dos hospitais e crianças se tornando futuros delinqüentes. Prejudicando assim os cidadãos de bem que pagam seus impostos e agem de acordo com a lei. Não só, o brasileiro precisa como os formadores de opiniões precisam mudar. Deixando de fazerem novelas onde o salafrário do colarinho branco acaba vivendo em Monte Carlo no final ou também porque não fazer sensacionalismo quando um político é pego com a “boca na botija”, assim como acontece com o assaltante do sinal.
Mais adiante alguns dirão que o problema da educação não resolve o problema da violência, pois, mesmo em ambientes onde a educação é de alto nível, há maus elementos, loucos e conseqüentemente acontecem tragédias, visto o que aconteceu na Noruega há pouco tempo atrás. Sim, mas casos como estes nada tem a ver com os problemas sociais que levam um individuo a cometer um delito como os que acontecem no Brasil. Em países onde há educação de qualidade, desviar recursos públicos não é costumeiro, o índice de assaltos se comparados aos nossos praticamente não existem. Um exemplo simples disso é que não há assaltos em sinais. Além disso, o crime contra as instituições públicas nestes países são punidos severamente e envergonham o individuo. No Japão, quando algum político é pego roubando ele chega ao ponto de cometer suicídio. Já no Brasil, ele é eleito após oito anos de “férias”.
Portanto, em curto prazo precisamos combater a violência, sim. Mas precisamos, também, começar a pensar em longo prazo, exterminar a raiz do problema que reflete em tudo. Protestar e acabar com as picaretagens que assolam educação, saúde e tantos outros pontos importantes em que ainda nosso país deixa a desejar. Senão nunca deixaremos de apenas pensarmos em meios de corrigir os problemas em curto prazo. Afinal como li em uma rede social esta semana: “Que país é este que junta milhões em uma marcha gay, outros milhões em uma marcha evangélica, milhares na marcha a favor da maconha. Mas que não se mobiliza contra a corrupção?”. Pois é, caros leitores, este é o Brasil e você deseja que o tal “X” do problema mude?
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