
Piraju, certamente, é uma das cidades onde ocorre uma das melhores infâncias que uma criança pode ter. Tem o Rio, os clubes, as ladeiras, muros quebrados, carrinho de rolimã, as praças e muitas ruas pacatas, que rendem boas partidas de taco ou intermináveis jogos de esconde e esconde.
Cresci em um período distante da era dos Ipads, tempos em que as crianças saiam de casa para brincar sem a preocupação da violência ou das incontáveis ruas esburacadas. A grande tecnologia da minha primeira dezena de vida foi indiscutivelmente a televisão. Lembro que assistia muitos desenhos quando o tempo não ajudava. Um dos desenhos que eu mais gostava era definitivamente o Tio Patinhas, ficava eu no alto de minha idade sonhando com um quarto repleto de moedas douradas, as quais eu só conhecia pessoalmente quando comprava um chocolate em forma de moeda, que logo não durava para rechear meu quarto.
Atualmente, já existem empresários que conseguiriam encher o seu quarto de moedinhas. No Brasil nos últimos anos surgiram milionários dignos de personagens animados como Patacôncios, Mac Môneis ou Tio Patinhas. Porém, a Disney não cria mais desenhos ou quadrinhos relacionados ao Tio Patinhas, após a morte do cartunista Carl Barks em 2000, decepcionando os fãs de Eike Batista que desejavam ver ele na versão pato.
Mas indubitavelmente, nenhum, destes personagens dos quadrinhos ou da realidade, conseguiram fazer que seus bens se multiplicassem tanto e tão rápido como aconteceu com o ex-ministro do nosso país Antonio Pallocci. Ele surpreendeu a todos brasileiros, economistas ou não, com tamanhos superávits patrimoniais em um curto período de tempo.
Mas, logo que assumiu o ministério com um salário inferior aos ganhos mensais dos últimos anos, seu patrimônio começou parecer estranho. Afinal quem abandona um grande salário por um razoável salário. Logo surgiram inexistentes ou não encontradas movimentações financeiras e quebras de sigilo. Criou-se uma crise no governo e o barco começou a ficar em deriva. Como um bom boi de piranha ele abandonou a pasta pelo “bem das investigações”. Assim como já havia feito num passado recente no caso do caseiro Francenildo.
Provavelmente aparecerão contas e bens não declarados, telefonemas comprometedores e laranjas intermináveis. Mas o mais decepcionante de tudo é que como é de praxe no Brasil, tudo isso não vai dar em nada. Assim como não dá em nada hospedar assassinos italianos ou chutar atletas cubanos de volta a Cuba após a debandada do último Pan-Americano. Vivemos em um país hipócrita onde os governos sejam na altura estadual, municipal ou federal fazem o que combatem e combate quem faz. Mas o pior de tudo mesmo, para um bom fã do esporte, e que se não bastasse sair com os rabos entre as pernas o ex-ministro abandonou o barco justo no mesmo dia da despedida do maior artilheiro das Copas. Ofuscando boa parte dos últimos momentos de brilho do nosso fenômeno eterno gordinho da camisa 9. Este sim, digno de presença nos desenhos e quadrinhos da Walt Disney.
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1 comentários:
Otimo,muito bom.....só acho que comparar Palloci com um boi de piranha é denegrir o feito tão nobre do pobre boi.
Abraços
João Bosco de Oliveira
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