
Nem de longe gosto do jornalismo praticado por Paulo Henrique Amorim, âncora dos domingos da TV Record, até por que corriqueiramente ele só ouve um dos lados da notícia. Mas na semana passada dei o braço a torcer ao concordar com algumas coisas que ele falou em seu blog. Em meio a um período escandaloso para o futebol, com a maior série de denúncias de corrupção até então feitas, por uma entidade respeitável que é a Federação Inglesa, contra as maiores entidades e nomes de quem cuida do esporte no cenário mundial e nacional como FIFA, Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e o imortal João Havelange, o mais respeitado e competente conglomerado da imprensa nacional (conhecido por sua principal emissora TV-Globo), acabou abafando um grave caso em todos os seus noticiários, programas esportivos e jornais impressos sejam no espaço dos canais aberto como os da chamada TV Paga.
Para quem não conhece os nomes acima, Ricardo Teixeira está para a CBF assim como José Sarney está para o Senado, Blatter e Havelange estão para a FIFA assim como Muammar Kadhafi está para a Líbia. Ambos governam seus órgãos há anos e com mãos de ferro, negociando de maneira nada ética contratos de campeonatos, eventos esportivos e o que nos remete a um futuro presente Copas do Mundo.
Após a última Copa do Mundo na África do Sul, os caciques do futebol mundial perceberam que é muito interessante para a entidade, seus bolsos e leques de contatos com empreiteiras, fazer eventos em países onde nada está pronto, visto que as próximas Copas serão feitas em terras tupiniquins em 2014, em 2018 na Rússia e 2022 no Qatar. Afinal construir se gasta mais e rende maiores propostas bilionárias de patrocinadores e empreiteiras do que apenas ajeitar os aeroportos, estádios e estabelecimentos de utilidade pública de um país onde já se tem tudo pronto, ou quase pronto, como é a Inglaterra, concorrente derrotada a sede da Copa de 2022.
Assim como os interesses pessoais são colocados a frente na hora de escolher as sedes de mundiais, em nossas terras, os direitos de transmissão de campeonatos também são feitos da mesma forma, é só lembrarmos de uns meses atrás o que a cúpula dos três responsáveis pelos direitos do atual futebol nacional fizeram, Globo com medo de perder os direitos forçou a barra de Ricardo Teixeira, Ricardo Teixeira forçou a barra dos clubes que forçaram Fabio Koff do Clube dos 13, após negociar os direitos com uma nova emissora, recuar e concordar com os acordos firmados pelos clubes sem sua mediação.
Vem daí tal camaradagem da poderosa emissora abafando às intermináveis denuncias feitas aos nomes citados acima. E mais, bobos que não são Blatter e Teixeira, nesta segunda usaram de suas forças no conselho da FIFA (Dispositivo da entidade que julga as denuncias assim como as CPIs fazem em nosso território) e na imprensa mundial e nacional, e conseguiram o arquivamento de todas as denuncias, na linguagem do bom brasileiro: Terminou em Pizza!
Por aqui, poucos ouviram falar sobre esse assunto, afinal duas das emissoras de maior audiência no país têm ligação uma com a outra. Ou seja, TV-Bandeirantes depende da TV Globo para transmitir os campeonatos de futebol. Já a grande rede, após conseguir renovar os direitos de transmissão longe do Clube dos 13, deve ter Ricardo Teixeira como parceiro, pelo menos até 2014, ano da Copa. Chata é a situação em que ficaram os grandes nomes do jornalismo esportivo da emissora, quais continuam respeitados e em nada diminui suas qualidades, como Tiago Leifert, Tadeu Schmidit, Milton Leite, Noriega e André Rizeck que tiveram de concordar e tapar os olhos a coisas que sempre combateram e denunciaram.
Portanto, resta a nós nos perguntarmos até quando e quanto vale a pena ser feita está Copa do Mundo no Brasil. Será que o governo de SP não está certo em insistir em estádios prontos, para diminuir os gastos. Afinal, um grande número de empreitaras não vão ganhar dinheiro construindo elefantes brancos no Amazonas ou Espírito Santo. Porque isenção total de impostos a FIFA e seus parceiros gringos empreendedores, sendo que enquanto isso, o brasileiro paga os impostos mais caros do mundo e ainda por cima terá que pagar 200, 300, 400 ou até mais reais nos ingressos das partidas da Copa do Mundo. Vale à pena parar e refletir, há tempos o futebol deixou de ser um esporte e virou um grande negócio. Olho neles, afinal alguém vai ter que pagar a conta dessa Copa do Mundo e sem dúvida alguma não será nenhum engravatado de Brasília.
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