quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Chega né



Era sexta-feira véspera da festa da democracia quando cheguei a Piraju, logo desci à casa da minha avó, fim de tarde, abro o portão para falar um “cheguei”, eis que me deparo com dezenas, se não centenas, de santinhos políticos. Peguei um, peguei outro, fui conferindo rosto a rosto, nome a nome, para ter a certeza de que não iria votar em nenhum dos picaretas. Até que em um momento, desisti, juntei todos em um canto, arrastando pelo pé.

Sabia que daquele momento em diante, dificilmente sobraria algum candidato para votar, mas depois de muito pesquisar, encontrei alguns candidatos em que tinham como um de seus princípios, a não poluição visual. Afinal quem vota em alguém que joga lixo em sua casa, ou é completamente fanático ou é completamente burro.

Mas isso não muda. Aposto com vocês que nas próximas eleições veremos os mesmos rostos nos papeizinhos, os mesmos que vivem longos três anos longe de nós; e que em períodos eleitorais brotam e simplesmente aparecem na cara de pau para pedir seu voto. Da mesma forma, no patamar municipal temos alguns candidatos a vereadores, prefeitos e personagens lendárias das escolas de samba do carnaval pirajuense que como é de praxe fazem o mesmo visando à vida pública. Claro que não podemos generalizar, sempre há gente de bem em meio os picaretas.

Mas mantenho minha aposta. Tantos os bons como os picaretas, sujarão suas casas, suas ruas e acreditem se quiser, até suas caixas de correios. Contudo, espero que meus pobres artigos sirvam de lição e que haja uma conscientização por parte dos nossos nobres senhores da gravata, claro não só em relação aos santinhos.
Até porque, esse é o nosso menor problema. É só questão de varrermos e jogarmos fora. Por outro lado, quase sempre na mesma medida que jogam os santinhos em nossas casas, vemos as maracutais dos compadres do santinho. Até parece, que o fim da ditadura impulsionou os “políticos da democracia” brasileira a se sentiram no direito de sair ganhando algo através de um cargo político.

Mas voltando a sujeira, não vejo diferença entre a imbecilidade de votar no Tiririca e votar em alguém que suja sua casa.

Afinal, hoje contamos com alternativas bem mais viáveis de se fazer política, como por exemplo, a mídia virtual. E quando esta não bastar, por que não aliarmos às velhas alternativas, como a divulgação no rádio ou as famosas bandeirinhas humanas na avenida. Poupando assim tanto o trabalho e visão do cidadão brasileiro como o ataque selvagem contra o meio ambiente. Imaginem quantas arvores não foram necessárias para fazer a campanha dos nobres políticos e quantas senhoras como a minha avó não tiveram o trabalho árduo de depois de um dia de chuva, retirar todos aqueles santinhos grudados das suas casas. Chega né.

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