quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O pendurar das luvas


Chegou ao fim. Os cotovelos, joelhos e braços já não agüentavam mais, o corpo pedia repouso. Os elencos fracos, as crises internas, os traidores, as ineficientes diretorias e a vontade de ser gente como nós, contribuíram para isso. Cedo ou tarde todos saberiam que a santidade deixaria o posto, para a honra. Este momento estava próximo. Não poderia ser melhor, ou pior. Não poderia ser menos surpreendente. Assim como suas defesas.
Quarta feira deixou os gramados um herói. O Santo de luvas, da religião alviverde. O herói da nação verde amarela e dono das mãos que garantiram o penta. O goleiro das causas impossíveis. O mais completo da história usando as mãos. O goleiro que se multiplicava em baixo dos paus. Amado por muitos, respeitado por todos. Um Santo, um homem. Marcos é isso, um caipira que não soube fazer marketing, e que fez disso sua principal propaganda.
Deixa os campos para entrar para a história, não o maior herói da minha geração, mas sem dúvidas o mais carismático e importante para a parte verde e branca da história. Quando ouvimos aquela história de que ninguém ganha o primeiro milhão prejudicando alguém, podemos usar Marcos para derrubar esse chavão. Ele errava, ria e dizia que errou, operava milagres e dizia que o mérito era do time. Teve uma carreira irretocável. E nos deixou o exemplo do homem, humilde, carismático e de princípios.
Tentei usar os 140 caracteres das redes sociais para tentar descrever o que eu senti e vi desde moleque o vendo jogar. É impossível. Marcos é eterno, milagreiro, fenomenal, santo, ou simplesmente Marcos. Insubstituível. Um exemplo para as futuras gerações que estão entrando no latifúndio verde do futebol. Chegou a hora de seus cotovelos, braços e joelhos terem o merecido descanso. Chegou a hora de parar com o futebol, que sempre teve e terá espaço para ele.
Da mesma forma, que foi uma semana triste, foi também uma semana que me deixou muito feliz, pois sei que vou poder contar aos meus filhos e netos que vi o maior goleiro da história do futebol jogar e se aposentar. Mas, ao mesmo tempo sei que jamais vou conseguir explicar o que foi Marcos completamente. Uma coisa é certa, existem e existiram goleiros, bons goleiros, ótimos goleiros, goleiros mitos, mas santo daquele que operava milagres, existiu um. Esta semana o gol ficou mais triste. Chegou ao fim o ciclo do último jogador de todas as torcidas. Obrigado por proporcionar tudo isso, Marcos Roberto Silveira Reis. Ou simplesmente São Marcos do Palestra Itália.  

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Gigante pela própria natureza






A Índia é o segundo país mais populoso da Terra, com aproximadamente 1,2 bilhões de pessoas. Provavelmente, em um curto período, deverá ocupar a posição da China como país mais populoso do planeta. A independência da Índia se consolidou a pouco mais de 64 anos, um período bastante curto, avaliando-se a história em um contexto geral.
Um dos indivíduos que mais contribuíram para isso foi Mahatma Gandhi. Após a independência, o mesmo foi indagado se a Índia perseguiria o estilo de vida britânico e teria respondido o seguinte: “A Grã-Bretanha precisou de metade dos recursos do planeta para alcançar sua prosperidade; quantos planetas não seriam necessários para que um país como a Índia alcançasse o mesmo patamar?”.
A sabedoria de Gandhi em 1947 já indicava que os modelos para desenvolvimento precisavam mudar, assim como o estilo de vida das nações desenvolvidas e a economia mundial que deveriam ser reestruturados levando em consideração o meio ambiente.
Em nosso país a legislação ambiental foi criada em 1934, passando por uma reformulação em 1965.  Até pouco, a sustentabilidade e a preocupação com o Código Ambiental permaneceu extremamente abandonada pela sociedade e autoridades brasileiras, porém, de uns anos para cá, isso começou a mudar.  Assim, após a aprovação na Câmara dos Deputados nas próximas semanas o Senado brasileiro deve começar a votar o polêmico PLC 30/2011, que trata do “novo” Código Florestal.
Polêmicos e incoerentes por diversos pontos serem contrários às recomendações feitas pela Academia Brasileira de Ciência.
São eles: A compensação das APPs (áreas de Preservação Permanentes) através das áreas de reserva legal (áreas que ficam dentro das propriedades, onde devem ser realizadas a sustentação da biodiversidade, fauna e flora nativas e conservação dos processos ecológicos).
Ainda, o absurdo da anistia que perdoará as multas dos proprietários de terras que desmataram as áreas de preservação permanentes e de reserva legal em todo período anterior a 2008, não exigindo a recuperação das áreas desmatadas ilegalmente.
Também, passar a competência de decidir o que vai se plantar para recompor a vegetação devastada, como por exemplo, nas margens de rios, aos governos estaduais. 
E o ponto que deixa a legislação mais “torcível” para as propriedades agrícolas de acordo com seus tamanhos em detrimento das propriedades menores de agricultura familiar, entre muitos outros pontos injustos.
Visando resguardar as matas brasileiras, foi criado um Comitê Brasileiro em Defesas das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, uma coalizão formada por 163 organizações da sociedade civil do país. Espera-se que a aprovação do novo código não ocorra de afogadilho como parece se pretender e sim seja feita uma correção dessas questões vitais, caso contrário se for aprovado, significará um retrocesso em relação à legislação atual, um incentivo a cultura da impunidade anistiando multas e crimes ambientais e o enfraquecimento do combate ao desmatamento para não dizer seu incentivo.
Um novo código florestal justo, atual e eficiente seria um que procurasse: apoiar e incentivar a recuperação das áreas desmatadas ao invés de reduzir sua proteção. Realocar as propriedades que ocupam os espaços das vegetações nativas nas encostas e topos dos morros.
Criar condições de adequação para quem quer cumprir a lei e reconhecer e premiar estes.
Punir e multar quem lucrou com o crime ambiental. Dar tratamento diferenciado ao produtor familiar e populações tradicionais em relação aos grandes produtores.
Fiscalizar e multar severamente e criminalmente quem praticar o desmatamento, e em médio prazo criar condições para monitorar e assim acabar com  isso no país. Não apenas manter as porcentagens atuais dos biomas, mas procurar aumentá-las.
Dessa forma, impedindo que o meio ambiente  seja mais um latifúndio da impunidade nacional. Ajudando os produtores familiares e as populações que sempre conviveram de forma sustentável com o seu bioma a preservarem suas áreas fazendo a conservação equilibrada. Punindo os que sempre desprezaram nossas matas e cursos d´água e se acham acima da lei.
E, acima de tudo a sociedade e as autoridades precisam parar de olhar o tema ambiental de forma míope, pensando só nos lucros e dividendos da agricultura.
Só seremos soberanos cumprindo uma legislação ambiental que impeça a destruição do meio ambiente. Desta forma, acidentes como os que aconteceram nas encostas e morros, de RJ, SC e SP, podem ser evitados. Se mudarmos isso, começamos a favorecer diretamente fauna e flora e a comunidade que desfruta dessa riqueza natural. Resta a nós brasileiros, políticos ou não, decidirmos, se queremos fazer valer a frase do “gigante pela própria natureza”, ou se vamos deixar como a maioria das potências mundiais, a natureza em segundo plano.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Canela inchada



Quedas de Ministros vêem se tornando fatos corriqueiros no Brasil. Esta semana foi à vez de Orlando Silva (do PCdoB), Ministério do Esporte. Já é o sexto há cair sob o comando de Dilma, o quinto acusado por corrupção. Até então, seria um dos responsáveis pela realização da Copa do Mundo no país, cuidando de um orçamento de aproximadamente 100 bilhões destinados para o evento. Culpado ou não, foi sensato de sua parte deixar a pasta. Ainda que, o cidadão que o acusa não tenha provas e a revista que divulgou o fato tenha se mostrado cada vez mais parcial em suas pautas. 
 Porém, sensato mesmo seria não usar 100 bilhões para a Copa do Mundo ,mas, sim em pró da população nacional. Afinal, existe muitas necessidades maiores em diversos âmbitos da sociedade como a saúde, educação, segurança e por aí vai. Quantos senhores de idade não estão morrendo nas filas dos hospitais, trabalhadores estão usando um transporte público em que são tratados como animais, quantas mães não estão precisando de auxilio para cuidar de seus filhos recém nascidos, sem falar, nos brasileiros que estão passando fome, vivendo abaixo da linha da pobreza ou nas ruas neste exato momento. 
 Em detrimento disso, o governo ilude a população realizando um evento em que bolas, jogadores milionários e “vuvuzelas” se transformam em pontos mais importantes do que educação, cultura e saúde. Ainda, se tivéssemos todos os ministros, vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores e presidentes dignos e responsáveis e não engravatados, ignorantes e irresponsáveis. Poderíamos, quem sabe, pensar em realizar um evento como esse. Afinal, o dinheiro que vai para o ralo ou bolso da corrupção nacional poderia ser usado de outra forma se não fosse por ignorância ou safadeza de alguns.
 Entretanto, há quem diga que o evento pode trazer melhorias, concordo, quem sabe para as grandes cidades, nas áreas dos transportes, aeroportos e serviços básicos. Todavia, isso cada dia se torna mais uma balela governista, dos cartolas gringos da FIFA e de seus empreiteiros parceiros. Logo que, até feriado já estão pensando declarar durante a Copa para desafogar o trânsito e o trafego aéreo. Além disso, vão construir muitos estádios em regiões do país onde nem times de futebol existe e ainda, vão levantar um novo em uma cidade com inúmeros outros prontos. Todo esse dinheiro já poderia estar sendo usado em outras áreas, ou ainda, ter sido economizado se fosse dada preferência aos estádios prontos ou as áreas onde serão utilizados de fato.
 Em resumo, o maior problema dessa Copa do Mundo não são os seus prazos e sim, acontecer em um país que ainda é um canteiro de obras da democracia e da moralidade. Em que a impunidade ainda impera. Um lugar, onde milhões se unem para lutar por alguns de seus direitos, mas, milhões não se juntam para lutar pelos direitos de todos. Terra onde estudantes lutam para usar uma substância anômica, mas não lutam quando um estudante é assassinado. Solo onde os bandidos são confundidos, com os verdadeiros pilantras que estão de terno e gravata, colocando dinheiro nas meias e desviando milhões dos cofres públicos, matando idosos nas filas dos hospitais, crianças doentes nas maternidades, andarilhos e miseráveis pelo frio e pela fome. Não vou nem entrar no mérito de que talvez as obras não estarão prontas em 2014. Mas sim, no fato da Copa acontecer em uma terra assolada pela corrupção, desigualdade, impunidade e irresponsabilidade. Isto significa, mais uma oportunidade para políticos, laranjas e até gringos levarem muita grana e saírem impunes.
Será que o brasileiro merece mais uma entrada criminosa como essa?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Terra de ninguém

Certamente, uma das coisas que mais lembramos ao ouvir o hino e ver a bandeira brasileira nos últimos tempos, é que o Brasil será sede da próxima Copa do Mundo. Logo, lembramos de uma seleção de futebol que não encanta, de estádios atrasados ou superfaturados, serviços de transporte público ineficazes e um sistema aeroviário que quando exigido não atende nem a demanda interna. São falhas, atrasos, dinheiro mal gasto e a incerteza de qual será o legado que o mundial de futebol deixará a nosso país e até mesmo, se ele vai acontecer. Em um raciocínio rápido, encontramos como responsável por esse conjunto de infelizes e ineficientes serviços, o atual governo que é ilustrado por nossa presidenta Dilma. Assim como no futebol, na política, arte e em diversos outros setores; no Brasil adaptamos junto aos veículos formadores de opiniões um ideal de valorizar e contrastar sempre os fatos ruins em detrimento dos fatos bons. Assim, foi o caso do deputado Romário, na maneira diferente de tratar o fato de sua carteira aprendida pela blitz da lei seca e o fato da alteração honrosa de uma lei referente aos deficientes físicos. Ou ainda, a “exorcização” de Dunga, principalmente pela mídia, após vencer tudo que disputou salvo a Copa do Mundo da África do Sul. Na ótica deste mesmo ideal, passaria despercebido para grande parte da população, enfim uma boa atitude do atual governo (assolado em intermináveis denuncias e casos de corrupção em muitas de suas pastas). Está semana em reunião extraordinária com a FIFA, o governo brasileiro entrou em atrito com a entidade por conta de certos pontos do texto da Lei Geral da Copa serem inconstitucionais, perante nossa carta magna. São exigências da FIFA a extinção dos “meio-ingressos” para estudantes, idosos, professores para as vendas de ingressos da Copa. Também, exige a entrada e saída de funcionários da FIFA no país sem o cumprimento das vias apropriadas como a exigência de visto com tempo de permanência. Ainda, deseja autorizar a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, ponto a que deve ser discutido com os estados e seus respectivos governadores.Entre outros inúmeros temas polêmicos referentes a Lei Geral da Copa. Acertadamente, o governo federal deseja que o texto da Lei Geral da Copa respeite a nossa Constituição Nacional, o Estatuto do Idoso e o Estatuto do Torcedor. Caso contrário, torna-se impossível as "determinações" da FIFA para a realização do evento serem aceitas, a não ser que fosse decretado um Estado de Exceção. Mesmo que, a discussão esteja em fase inicial a FIFA, tem força para descumprir todos os pontos da nossas exigências, vinculada a grandes empresas e patrocinadores bilionários, como por exemplo, empresas de cerveja e de vendas de ingressos. Não se mostra nem um pouco interessada em abrir mão das suas exigências, pois segunda nota da própria entidade, a África do Sul respeitou estes pontos em 2010 e Rússia e Catar já aceitaram os termos para 2018 e 2022. E como vivemos em um país onde o dinheiro compra muitos, provavelmente, vamos ter de engolir mais essa. Em suma, não basta os superfaturamentos dos estádios e obras públicas voltadas para o mundial, os preços abusivos que serão cobrados nos ingressos e o jeitinho brasileiro arrumado, que será decretar feriado nos dias da Copa, para tudo funcionar bem. Ainda por cima, Blatter e sua trupe de gringos engravatados tentam transformar terras tupiniquins em uma terra de ninguém, tentando assolar nossas leis e tornando nosso país dependente das normas estabelecidas pela entidade e pelos interesses de seus patrocinadores. Um verdadeiro “tapa” em nossa cara. Em suma, a cada dia mais parece que essa Copa do Mundo se transforma em mais uma penitência para o trabalhador brasileiro pagar. Resta-nos fiscalizar e esperar para que o governo consiga fazer valer nossos direitos e transforme a Copa em algo que deixe legados e não mais um peso nas costas e bolsos do povo brasileiro.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Uma paz distante e alguns exemplos


Em relação à sétima arte, posso dizer que não sou um expert e nem mesmo um leigo do assunto. No decorrer de minha infância e adolescência em Piraju, duas coisas que não faltavam em casa eram filmes e livros. Assim, acredito que aprendi diferenciar um grande filme de um filme para passar o tempo. Um dos filmes que mais marcaram minha infância foi The Goonies, todo seu enredo aventureiro inspirou uma das minhas principais diversões quando criança em Piraju: Bombas. Isso mesmo, bombas, eram artesanais e meus pais compravam em uma casinha de madeira perto do antigo supermercado Estrela, e deviam dar uma grande dor de cabeça a eles.
Por falar em bombas, um dos meus filmes preferidos, já na fase adulta, é sem dúvida Paradise Now um filme Palestino que conta a história de Said e Khaled, dois jovens deste país recrutados para um atentado suicida e que no decorrer da história são humanizados através do contraste de pobreza da Faixa de Gaza frente à riqueza do estado israelense. Mas o principal objetivo do tratado é acabar com o paradigma de que no conflito arabe-israelense existe dois personagens, um bom e outro mau.
Entretanto, as últimas semanas mostraram que este paradigma está longe de deixar de existir, com a volta dos conflitos na região. O governo sionista de extrema-direita, não aceita o estado Palestino, faz o que quer na região expulsando quem quer dos autodenominados territórios do estado israelense e segrega israelenses de palestinos através de um muro. Tudo isso, com apoio ou no mínimo conivência do estado americano. Por outro lado, o panorama político Palestino, é atualmente controlado pelo grupo terrorista Hamas que por sua vez também não aceita o estado judeu e ainda por cima, trava uma guerra política contra membros de grupos moderados como o Fatah e ANP (Autoridade Nacional Palestina) que buscavam, antes da suspensão dos Tratados de Paz, uma resolução pacifica para a região em negociações com os também políticos moderados de Israel.
Para piorar, as revoluções democráticas que atingem o Médio Oriente ainda que boas para a democracia local quase inexistente acabaram transformando a região em um barril de pólvora. Por exemplo, o Egito (um dos estados árabes de mais força na região e que reconhece o estado judeu) é hoje no âmbito político um país indefinido, e caso os movimentos democráticos percam força, existe grande possibilidade de ser governado por jihadistas da Liga Muçulmana. Os mesmo que invadiram a embaixada israelense na semana passada e que podem destruir o sonho democrático do estado assolando sua secularidade e trazendo dramáticos problemas a região com seu ideal de ódio ao ocidente.
Eventualmente, a mesma coisa poderá acontecer com a Líbia, Kuwait, Barheim e muitos outros países árabes. Onde os atuais governos na maioria monárquicos ou ditaduras são coniventes com a política petrolífera americana e o estado israelense. Porém com a derrocada dos atuais governantes, assim como no Egito, caso os movimentos democráticos não continuem e perca força, um grande problema pode surgir primeiro internamente com jihadistas transformando os estados em teocracias (assim como a mascarada ditadura Iraniana) e externamente travando uma guerra pró um estado Palestino, não relevando sequer sua criação através de um processo pacífico e “contratual” através de negociações.
Em suma, a paz na região foi mais uma vez adiada. Não só o paradigma de bom e mau continua existindo, como, o ódio e as diferenças milenares da região também, sejam elas, entre judeus, árabes, curdos, cristãos ou ateus. No entanto, atualmente as populações do Oriente Médio têm em mãos, na voz e em suas atitudes o melhor meio para se atingir a paz, que é a democracia dos países da região como estados laicos, deixando a política livre dos ideais religiosos. Resta-nos esperar, torcer e imaginar, assim como acontece com Said no fim de Paradise Now, se a democracia, a paz e o bem comum começarão a se tornar realidade em uma região tão castigada ou se as guerras contra o ocidente e a opressão voltarão existir através de estados terroristas. Disto tudo, ficam para os brasileiros os exemplos dos movimentos sociais, em busca de mais ética, direitos e uma real democracia.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O "X" do problema.


(arte: Latuff, 2008)


Esta foi uma semana agitada por conta da instabilidade do mercado financeiro, do seqüestro ao ônibus no Rio de Janeiro, do vandalismo e protestos em Londres e por fim culminou na sexta crise de corrupção ministerial do atual governo em apenas dois meses. Este último fato me faz lembrar um fato ocorrido há algum tempo em Maringá-PR, onde um político foi pego desviando dinheiro público. Após sua, demorada, condenação em ultima instância, houve um protesto em frente à câmara de vereadores de Maringá, em que a aglomeração calorosamente gritava: Ladrão, Ladrão, Ladrão!!! Eis quando o grupo é pego de surpresa por uma senhora no alto de seus setenta e poucos anos que grita: Assassino! Indagada, sobre o porquê de ter gritado isso por um dos jovens do grupo a senhora responde mais ou menos isso: “Veja bem meu jovem, a partir do momento em que ele desviou recursos da saúde e educação, quantas vidas não foram ceifadas ou modificadas pela escassez de recursos nestas áreas, por conta de seu ato.”
Escassa também é esta visão em nossa sociedade atual, exemplos como esse são raros. Isto é, formadores de opinião e população têm uma visão deturpada do problema da violência no Brasil. Dessa forma, a imprensa trata o corrupto em alto e bom som de vossa excelência, mesmo que o dinheiro tenha sido armazenado nas meias ou cueca ou acompanhado de uma oração. A população não protesta ou se revolta com um corrupto que faz seu jantar no mesmo restaurante que ela, em razão de estarem no mesmo ambiente social e econômico. Por outro lado, quando uma pessoa é assaltada no farol ou assassinada logo desejamos que o bandido sofresse na cadeia ou que o assassino seja morto pela policia. Da mesma forma, quando vemos o Movimento Sem-Terra pensamos “cambada de vagabundos”. Não que não haja vagabundos entre estes movimentos, ou pessoas má intencionadas matando e roubando, há e elas devem ser punidas. Mas precisamos analisar quais são os criminosos mais perigosos os que roubam para comer, ou que não tem terra para plantar, ou aqueles de terno e gravata que assolam ainda mais os problemas do país.
O “X” do problema é esse. O brasileiro precisa começar a entender que o bandido do colarinho branco nada de diferente tem dos assassinos cruéis, na verdade eles são da mesma forma, assassinos-indiretamente e acabam causando mais mal a sociedade que os bandidos comuns. Afinal, inúmeros hospitais perderam recursos com “sanguessugas” e inúmeras escolas foram prejudicadas por “mensaleiros”. O reflexo disso é idoso morrendo nas filas dos hospitais e crianças se tornando futuros delinqüentes. Prejudicando assim os cidadãos de bem que pagam seus impostos e agem de acordo com a lei. Não só, o brasileiro precisa como os formadores de opiniões precisam mudar. Deixando de fazerem novelas onde o salafrário do colarinho branco acaba vivendo em Monte Carlo no final ou também porque não fazer sensacionalismo quando um político é pego com a “boca na botija”, assim como acontece com o assaltante do sinal.
Mais adiante alguns dirão que o problema da educação não resolve o problema da violência, pois, mesmo em ambientes onde a educação é de alto nível, há maus elementos, loucos e conseqüentemente acontecem tragédias, visto o que aconteceu na Noruega há pouco tempo atrás. Sim, mas casos como estes nada tem a ver com os problemas sociais que levam um individuo a cometer um delito como os que acontecem no Brasil. Em países onde há educação de qualidade, desviar recursos públicos não é costumeiro, o índice de assaltos se comparados aos nossos praticamente não existem. Um exemplo simples disso é que não há assaltos em sinais. Além disso, o crime contra as instituições públicas nestes países são punidos severamente e envergonham o individuo. No Japão, quando algum político é pego roubando ele chega ao ponto de cometer suicídio. Já no Brasil, ele é eleito após oito anos de “férias”.
Portanto, em curto prazo precisamos combater a violência, sim. Mas precisamos, também, começar a pensar em longo prazo, exterminar a raiz do problema que reflete em tudo. Protestar e acabar com as picaretagens que assolam educação, saúde e tantos outros pontos importantes em que ainda nosso país deixa a desejar. Senão nunca deixaremos de apenas pensarmos em meios de corrigir os problemas em curto prazo. Afinal como li em uma rede social esta semana: “Que país é este que junta milhões em uma marcha gay, outros milhões em uma marcha evangélica, milhares na marcha a favor da maconha. Mas que não se mobiliza contra a corrupção?”. Pois é, caros leitores, este é o Brasil e você deseja que o tal “X” do problema mude?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Boi de Piranha


Piraju, certamente, é uma das cidades onde ocorre uma das melhores infâncias que uma criança pode ter. Tem o Rio, os clubes, as ladeiras, muros quebrados, carrinho de rolimã, as praças e muitas ruas pacatas, que rendem boas partidas de taco ou intermináveis jogos de esconde e esconde.
Cresci em um período distante da era dos Ipads, tempos em que as crianças saiam de casa para brincar sem a preocupação da violência ou das incontáveis ruas esburacadas. A grande tecnologia da minha primeira dezena de vida foi indiscutivelmente a televisão. Lembro que assistia muitos desenhos quando o tempo não ajudava. Um dos desenhos que eu mais gostava era definitivamente o Tio Patinhas, ficava eu no alto de minha idade sonhando com um quarto repleto de moedas douradas, as quais eu só conhecia pessoalmente quando comprava um chocolate em forma de moeda, que logo não durava para rechear meu quarto.
Atualmente, já existem empresários que conseguiriam encher o seu quarto de moedinhas. No Brasil nos últimos anos surgiram milionários dignos de personagens animados como Patacôncios, Mac Môneis ou Tio Patinhas. Porém, a Disney não cria mais desenhos ou quadrinhos relacionados ao Tio Patinhas, após a morte do cartunista Carl Barks em 2000, decepcionando os fãs de Eike Batista que desejavam ver ele na versão pato.
Mas indubitavelmente, nenhum, destes personagens dos quadrinhos ou da realidade, conseguiram fazer que seus bens se multiplicassem tanto e tão rápido como aconteceu com o ex-ministro do nosso país Antonio Pallocci. Ele surpreendeu a todos brasileiros, economistas ou não, com tamanhos superávits patrimoniais em um curto período de tempo.
Mas, logo que assumiu o ministério com um salário inferior aos ganhos mensais dos últimos anos, seu patrimônio começou parecer estranho. Afinal quem abandona um grande salário por um razoável salário. Logo surgiram inexistentes ou não encontradas movimentações financeiras e quebras de sigilo. Criou-se uma crise no governo e o barco começou a ficar em deriva. Como um bom boi de piranha ele abandonou a pasta pelo “bem das investigações”. Assim como já havia feito num passado recente no caso do caseiro Francenildo.
Provavelmente aparecerão contas e bens não declarados, telefonemas comprometedores e laranjas intermináveis. Mas o mais decepcionante de tudo é que como é de praxe no Brasil, tudo isso não vai dar em nada. Assim como não dá em nada hospedar assassinos italianos ou chutar atletas cubanos de volta a Cuba após a debandada do último Pan-Americano. Vivemos em um país hipócrita onde os governos sejam na altura estadual, municipal ou federal fazem o que combatem e combate quem faz. Mas o pior de tudo mesmo, para um bom fã do esporte, e que se não bastasse sair com os rabos entre as pernas o ex-ministro abandonou o barco justo no mesmo dia da despedida do maior artilheiro das Copas. Ofuscando boa parte dos últimos momentos de brilho do nosso fenômeno eterno gordinho da camisa 9. Este sim, digno de presença nos desenhos e quadrinhos da Walt Disney.
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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Custo-Benefício




Nem de longe gosto do jornalismo praticado por Paulo Henrique Amorim, âncora dos domingos da TV Record, até por que corriqueiramente ele só ouve um dos lados da notícia. Mas na semana passada dei o braço a torcer ao concordar com algumas coisas que ele falou em seu blog. Em meio a um período escandaloso para o futebol, com a maior série de denúncias de corrupção até então feitas, por uma entidade respeitável que é a Federação Inglesa, contra as maiores entidades e nomes de quem cuida do esporte no cenário mundial e nacional como FIFA, Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e o imortal João Havelange, o mais respeitado e competente conglomerado da imprensa nacional (conhecido por sua principal emissora TV-Globo), acabou abafando um grave caso em todos os seus noticiários, programas esportivos e jornais impressos sejam no espaço dos canais aberto como os da chamada TV Paga.
Para quem não conhece os nomes acima, Ricardo Teixeira está para a CBF assim como José Sarney está para o Senado, Blatter e Havelange estão para a FIFA assim como Muammar Kadhafi está para a Líbia. Ambos governam seus órgãos há anos e com mãos de ferro, negociando de maneira nada ética contratos de campeonatos, eventos esportivos e o que nos remete a um futuro presente Copas do Mundo.
Após a última Copa do Mundo na África do Sul, os caciques do futebol mundial perceberam que é muito interessante para a entidade, seus bolsos e leques de contatos com empreiteiras, fazer eventos em países onde nada está pronto, visto que as próximas Copas serão feitas em terras tupiniquins em 2014, em 2018 na Rússia e 2022 no Qatar. Afinal construir se gasta mais e rende maiores propostas bilionárias de patrocinadores e empreiteiras do que apenas ajeitar os aeroportos, estádios e estabelecimentos de utilidade pública de um país onde já se tem tudo pronto, ou quase pronto, como é a Inglaterra, concorrente derrotada a sede da Copa de 2022.
Assim como os interesses pessoais são colocados a frente na hora de escolher as sedes de mundiais, em nossas terras, os direitos de transmissão de campeonatos também são feitos da mesma forma, é só lembrarmos de uns meses atrás o que a cúpula dos três responsáveis pelos direitos do atual futebol nacional fizeram, Globo com medo de perder os direitos forçou a barra de Ricardo Teixeira, Ricardo Teixeira forçou a barra dos clubes que forçaram Fabio Koff do Clube dos 13, após negociar os direitos com uma nova emissora, recuar e concordar com os acordos firmados pelos clubes sem sua mediação.
Vem daí tal camaradagem da poderosa emissora abafando às intermináveis denuncias feitas aos nomes citados acima. E mais, bobos que não são Blatter e Teixeira, nesta segunda usaram de suas forças no conselho da FIFA (Dispositivo da entidade que julga as denuncias assim como as CPIs fazem em nosso território) e na imprensa mundial e nacional, e conseguiram o arquivamento de todas as denuncias, na linguagem do bom brasileiro: Terminou em Pizza!
Por aqui, poucos ouviram falar sobre esse assunto, afinal duas das emissoras de maior audiência no país têm ligação uma com a outra. Ou seja, TV-Bandeirantes depende da TV Globo para transmitir os campeonatos de futebol. Já a grande rede, após conseguir renovar os direitos de transmissão longe do Clube dos 13, deve ter Ricardo Teixeira como parceiro, pelo menos até 2014, ano da Copa. Chata é a situação em que ficaram os grandes nomes do jornalismo esportivo da emissora, quais continuam respeitados e em nada diminui suas qualidades, como Tiago Leifert, Tadeu Schmidit, Milton Leite, Noriega e André Rizeck que tiveram de concordar e tapar os olhos a coisas que sempre combateram e denunciaram.
Portanto, resta a nós nos perguntarmos até quando e quanto vale a pena ser feita está Copa do Mundo no Brasil. Será que o governo de SP não está certo em insistir em estádios prontos, para diminuir os gastos. Afinal, um grande número de empreitaras não vão ganhar dinheiro construindo elefantes brancos no Amazonas ou Espírito Santo. Porque isenção total de impostos a FIFA e seus parceiros gringos empreendedores, sendo que enquanto isso, o brasileiro paga os impostos mais caros do mundo e ainda por cima terá que pagar 200, 300, 400 ou até mais reais nos ingressos das partidas da Copa do Mundo. Vale à pena parar e refletir, há tempos o futebol deixou de ser um esporte e virou um grande negócio. Olho neles, afinal alguém vai ter que pagar a conta dessa Copa do Mundo e sem dúvida alguma não será nenhum engravatado de Brasília.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

OPORTUNIDADE


Voltei caro leitor. Após algum tempo afastado por conta dos estudos e de uma reciclagem pessoal a qual me propus fazer para tratar somente de esporte “tô de volta” essa semana TENTANDO evitar tocar no cansativo e imutável tema da política pirajuense e nacional.
Voltei com a proposta de escrever sobre a aposentadoria de Ronaldo. Tentei uma, tentei duas, tentei três. Percebi que é impossível descrever o que Ronaldo foi para minha geração. O maior que vi jogar. Ronaldo é Ronaldo, assim como Pelé é Pelé. Não vai ter outro.
Ronaldo foi além fora dos campos, mostrou como um jogador pode tomar suas próprias atitudes e tomar conta do seu peixe em um mundo em que os empresários são donos dos atletas logo com quatorze ou quinze anos. Como disse Ronaldo, “foi tudo lindo e maravilhoso”. Foi um marco. Se eu tentasse em milhões de toques, seria impossível dar dimensão do que Ronaldo representou.
Por isso, mesmo TENTANDO mudo um pouco o foco do que venho tratar com vocês.
Em nossa cidade estamos precisando de Ronaldos “lá em cima”. Conversa vai, conversa vem, semana vai, semana vem. E os dinossauros continuam brigando por coisas inúteis e fúteis. Essa semana as lutas cessaram, os dinossauros ficaram abismados. Pois é, Piraju está ente as cidades aptas a receber sedes de treinamentos para a Copa de2014. Eu não me surpreendo, pois como diria meu amigo Bode, que já cuidou do esporte aqui na Folha, Piraju coloca Atibaia e Itu no bolso quando se trata de potencial, essas cidades já enjoaram.
O problema aqui é que nunca conseguimos usufruir do nosso potencial, pois aqui ninguém pode ser bem sucedido em algum negócio, ninguém pode ser mais importante que o outro e quem consegue isso, vira alvo das bocas malditas e do pessoal que cuida “lá de cima”. Está na hora de parar com essa hipocrisia e caretice de inveja um dos outros e não ligar para o turismo, para infra-estrutura e para nossa Piraju. Se analisarmos, estamos vivendo a pior administração dos últimos dez anos.
Não precisamos andar quarteirões para ver buracos intermináveis, as entradas das cidades abandonadas, as calçadas quando existe sucateadas, iluminação precária, estrutura pública para o turismo zero, barcos e prédios públicos abandonados e poucos são representantes aptos a apresentarem projetos para o governo federal disponibilizar verba. Isso sem falar nos confrontos dos dinossauros. O carnaval está aí, vamos receber milhares de turistas e nada é feito.
Está na hora de isso mudar. Piraju não vive mais de agricultura, mas deveria sim em curto prazo viver de incentivo e isenção para as indústrias no abandonado distrito industrial. E em longo prazo se consolidar com o turismo, usufruindo de todo seu potencial. E para isso é importante começar mudar agora. Para a Copa, investir em áreas esportivas incentivando o esporte, abrir um local onde o turista possa receber informações da cidade, educar a população transmitindo a ela a idéia de quanto o turismo é importante e quem sabe não usar antigo prédio do Hotel Piraju, para instalar todas as secretarias e diretórios municipais, assim fica tudo organizado e economiza-se um bom dinheiro dos prédios alugados por toda cidade. E fundamental, parar com a picuinha de que ninguém pode fazer algo importante ou novo em nossa cidade.
Afinal, somos todos pirajuenses, natos ou por consideração. Estamos esperando há muito tempo que nosso potencial comece a dar resultados. Está na hora de pensar em Piraju e não nas próprias cabeças. Estamos com uma oportunidade de fazer bonito e receber o maior evento do mundo. Para assim, começarmos a consolidar nosso lugarzinho verdadeiramente como Estância Turística de Piraju. E para isso, devemos nos inspirar nas palavras de um fenômeno aí: “Afinal, isso pode ser lindo e maravilhoso.” Só faltam as turmas que passam “lá em cima” começarem a olhar para você terrinha. Até breve, caro leitor!
felipedoval@msn.com

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Chega né



Era sexta-feira véspera da festa da democracia quando cheguei a Piraju, logo desci à casa da minha avó, fim de tarde, abro o portão para falar um “cheguei”, eis que me deparo com dezenas, se não centenas, de santinhos políticos. Peguei um, peguei outro, fui conferindo rosto a rosto, nome a nome, para ter a certeza de que não iria votar em nenhum dos picaretas. Até que em um momento, desisti, juntei todos em um canto, arrastando pelo pé.

Sabia que daquele momento em diante, dificilmente sobraria algum candidato para votar, mas depois de muito pesquisar, encontrei alguns candidatos em que tinham como um de seus princípios, a não poluição visual. Afinal quem vota em alguém que joga lixo em sua casa, ou é completamente fanático ou é completamente burro.

Mas isso não muda. Aposto com vocês que nas próximas eleições veremos os mesmos rostos nos papeizinhos, os mesmos que vivem longos três anos longe de nós; e que em períodos eleitorais brotam e simplesmente aparecem na cara de pau para pedir seu voto. Da mesma forma, no patamar municipal temos alguns candidatos a vereadores, prefeitos e personagens lendárias das escolas de samba do carnaval pirajuense que como é de praxe fazem o mesmo visando à vida pública. Claro que não podemos generalizar, sempre há gente de bem em meio os picaretas.

Mas mantenho minha aposta. Tantos os bons como os picaretas, sujarão suas casas, suas ruas e acreditem se quiser, até suas caixas de correios. Contudo, espero que meus pobres artigos sirvam de lição e que haja uma conscientização por parte dos nossos nobres senhores da gravata, claro não só em relação aos santinhos.
Até porque, esse é o nosso menor problema. É só questão de varrermos e jogarmos fora. Por outro lado, quase sempre na mesma medida que jogam os santinhos em nossas casas, vemos as maracutais dos compadres do santinho. Até parece, que o fim da ditadura impulsionou os “políticos da democracia” brasileira a se sentiram no direito de sair ganhando algo através de um cargo político.

Mas voltando a sujeira, não vejo diferença entre a imbecilidade de votar no Tiririca e votar em alguém que suja sua casa.

Afinal, hoje contamos com alternativas bem mais viáveis de se fazer política, como por exemplo, a mídia virtual. E quando esta não bastar, por que não aliarmos às velhas alternativas, como a divulgação no rádio ou as famosas bandeirinhas humanas na avenida. Poupando assim tanto o trabalho e visão do cidadão brasileiro como o ataque selvagem contra o meio ambiente. Imaginem quantas arvores não foram necessárias para fazer a campanha dos nobres políticos e quantas senhoras como a minha avó não tiveram o trabalho árduo de depois de um dia de chuva, retirar todos aqueles santinhos grudados das suas casas. Chega né.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Um mundial "Lekker"!


Provavelmente, todos não entenderam o titulo, por isso, peço licença ao leitor para uma rápida explicação Lekker significa “fantástico!” em Zulu umas das onze línguas oficiais do país sede da Copa 2010. A Republica da África do Sul, assolada no passado pelo apartheid, exploração, partilha de seu povo “a européia” e da extração de suas riquezas por estrangeiros selvagens. Tem como nação a oportunidade de através do mundial consolidar de uma vez por todas (após 16 anos do fim do antigo regime racial) sua posição como uma nação livre, independente e acima de tudo unida.
Isso se deve a decisão da FIFA de realizar um evento num continente cheio de problemas sociais que é lembrado apenas pela miséria de seu povo por grande parcela do planeta. Está decisão contribuiu para essa parcela significativa se interessar direta ou indiretamente pela verdadeira história do continente e do país sede nos últimos anos. Um povo fraternal e feliz que a cada nova imagem e gesto nos estádios parecem até que são visitantes em sua própria terra de tão emocionados estão em receber o mundo inteiro. A cada lugar, vila e aldeia, filmada e descrita à felicidade do sul-africano é eternizada nos meios de comunicação e assim eles reescrevem sua história. História de superação e vitória. Certamente, partilhada em cada canto do mundo e que arranca sorrisos. Dessa forma, a maior vitoria nessa Copa já é da África do Sul e seu verdadeiro FIFA World Cup Trophy é o futuro.
Um futuro que deve aproveitar o legado estrutural e imaterial que o evento vem proporcionando ao país e significa que também significa oportunidades. Seja para população de lugares como o Soweto almejarem uma formação esportiva, profissional e educacional ou a oportunidades da nação toda gozar de uma melhoria infra-estrutural do país.
Porém, o legado de uma Copa do Mundo em um país problemático e com imensas diferenças sociais decorrentes da cor de pele dos seus cidadãos, vai muito além de estádios, estradas e áreas de lazer e estudo. Sua maior contribuição são os olhos do mundo voltados para os problemas do país e do continente conseqüentemente, como jamais se observou antes. Nem mesmo, o fim do apartheid conseguiu tamanha atenção.
Portanto, eu termino meu primeiro artigo deste material chamado “Semana em Copa”, com toda a certeza de que o legado deixado pelo mundial da África do Sul é muito mais fantástico que gols, estrelas na camisa, astros da bola, torcidas, vuvuzelas e jabulanis. É algo que vai muito além da própria Indebe Yowhlaba, ou seja, muito além da Copa do Mundo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Nota

Este mês estou deixando meu tempo voltado para o blog especialmente reservado a elaboração do material da Copa do Mundo para a Folha de Piraju, em parceria Com Vinicius Veloso e Gustavo Leme. Confiram no próximo sábado o primeiro material.
Em breve volto para tratar dos temas de sempre.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Avante Brasil!


Cansei! Definitivamente cansei! Não agüento mais os comentários equivocados da mídia esportiva desta semana (salvo, um ou outro formador de opinião). Alguns vão me crucificar, assim como foi com Arnaldo Jabour quando ele comentou e condenou o Oscar de Titanic (um filme “meia boca”). Porém não vou sofrer como ele, pois tenho em mente as convicções de que vou torcer muito e que no fim do mês de Julho estarei comemorando isso.
Há quatro anos, como a maioria achava que ele vinha a ser apenas um fantoche de Ricardo Teixeira, eu tinha a plena certeza de que o técnico da Seleção Brasileira tinha de ser o melhor e não um ex-volante feijão com arroz sem experiência alguma. Suas primeiras convocações reforçavam ainda mais isso, Afonso Alves, Daniel Carvalho, Carlinhos e outros.
Após algum tempo, isso mudou, o time foi incorporando a “cara Dunga”. Ele nunca escondeu de ninguém que era tradicional, que não gostava de novidades, tanto é que ao pesquisarmos imagens de quando ele levantou a taça em 94 e compararmos com imagens atuais constatamos o seguinte: Até seu topete arrepiado continua igual. Assim, ao tratarmos sua seleção logo vamos lembrar três palavras: Comprometimento, raça e coerência.
Partindo disso, ele inovou no posto em que ocupa, seguiu suas convicções, impediu a velha história de jogadores atuarem apenas com o nome (como aconteceu em 2006) ou até mesmo da convocação de um ou outro futuro craque, acontecer através de pressão da mídia.
Está semana isso foi constatado novamente, ele mostrou que ele é um sujeito que merece estar onde está. Provou o quanto ama seu país em sua coletiva, mostrou aos formadores de opinião (que quiseram enxergar) a sua sede de colocar nosso Brasil nas manchetes do mundo nos próximos meses. Não cedeu a pressões internas e externas, se manteve coerente a sua linha de trabalho frente aos atletas que sempre comandou. Formou um verdadeiro grupo. Um grupo que não se restringe apenas aos 23 convocados, mas a muitos outros atletas que trabalharam seguindo suas idéias, mas que infelizmente por determinação da FIFA acabam sendo reduzidos a 23 com a chegada da Copa.
Certamente alguns vão dizer: Aquele genial menino da vila merecia ir. Porém, alguém já parou para analisar e respeitar os feitos dos jogadores que estão lá? Talvez não. Dunga ganhou tudo, com este time. Copa América, Eliminatórias, Copa das Confederações. E eu pergunto por que mudar agora? Por exemplo, já imaginaram um garoto de 18 anos sem o roupeiro, massagista, técnico e os companheiros com os quais convive em seu cotidiano, convivendo num ambiente de atletas bem resolvidos, com idade superior e funcionários diferentes. Provavelmente seu desempenho técnico e psicológico não vai ser o mesmo. Isso já presenciamos em Mundiais Sub-17 ou Sub-20 onde os mesmos selecionáveis tiveram desempenho pífio.
Dunga formou um grupo forte e comprometido. Um dos argumentos está semana referiam-se aos atletas que não foram convocados (como Ronaldinho), pois estavam mal em seus clubes. Por este lado como explicar as grandes atuações de Robinho (quando estava no Manchester City), Juan (na Roma) e Felipe Melo (em sua atual fase da Juventus). Isto é balela, e o Tostão que desculpe, mas não é nada mais que isso. Outro argumento é em relação ao volante Gilberto Silva, atleta experiente, seguro (alguém já viu ele falhar?) e titular absoluto em qualquer clube nacional. Ouvi um formador de opinião dizendo até o Arouca merecia a vaga dele, é brincadeira?
Por certo, vai ter muita gente secando a atual seleção para depois vim falar: Não falei!
Ainda bem que essa turma no final acabou sempre elogiando, foi assim no final de todos os torneios em que o grupo de Dunga participou. Aposta minha (impossível de saber seu fim), é de que se o capitão do tetra ouvisse os clamores populares e perdesse o torneio muito que pedem agora, viriam falar depois: Quem mandou mudar a Seleção!
Enfim, infelizmente é assim no país em que vivemos o técnico da Seleção é mais cobrado do que presidente, governadores, senadores e prefeitos. No final da Copa ganhando ou perdendo, a única coisa que muda é (talvez) uma estrela a mais no manto amarelo. Enquanto, os problemas continuam assolar nosso país. Para piorar, ainda caçoam de alguns exemplos de ideais como esse que tanto faltam ao nosso país: como o comprometimento, raça e coerência.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ma donna mia!


Antes de mais nada, o jogo mais emocionante do ano.
Ouvi alguns por ai dizendo que foi um jogo feio, truncado e tanto blá blá.
Analisando o futebol de fato, o que foi a posse de posse de bola do Barcelona? Fantástico!Embora não tenha se convertido em gols.
A Inter deu uma aula tática em Guardiola. Mourinho, Julio César, Lúcio e Cia mostraram como o futebol moderno é. Não adianta só espetáculo. Mas sim união, comprometimento, garra, grupo, disciplina tática e muita força. Foi isso que vimos na tarde de ontem. Uma Inter absoluta, Zanetti mostrando que tem lugar cativo na seleção argentina, Eto como um motor (não parava) do outro lado um apagado Messi. Porém, Pedro apareceu e mostrou que é a grande promessa do futebol mundial para a Copa do Mundo.
Mourinho como já é de costume comemorou com a torcida catalã de maneira provocativa, Valdez não gostou mas eu pergunto quem é Valdez? O Barcelona merece um goleiro a altura. E enfim termina um ciclo do time catalão, ao fim da temporada mudanças vão ocorrer, Puyol, Henry, Abidal e Maxwel devem deixar o time, oportunidade para Henrique, Keirison, Thiago (Filho do grande volante Mazinho)e Jéfren. A Inter favorita, enfim após 4 scudettos chega ao topo da Europa, dependendo de uma vitória, para chegar ao topo do planeta.
Que quarta meus amigos, se não fosse pelo prágmatico Corinthians e Flamengo em baixo de uma bela chuva torrencial a quarta seria fantástica. Por falar no classico das massas, Adriano enfim mostrou o porque que está na Familia Dunga. Que jogo do imperador, batalhou muito na partida e foi premiado com o penalti do infantil Moacir em cima de Juan. E que cobrança, chute forte, lembrando o Adriano da Inter. É uma pena não podermos ver ele na final da Champions ao lado de Eto, Lúcio, Sneijder, Julio César e Cia... Ma donna mia!!!!!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Perguntas


Quem é que não se lembra do caso da mulher que foi presa por furtar margarina do mercado para alimentar seus filhos? Ou aquele, humilde cidadão que furtou uma galinha para sobreviver e acabou tomando algumas bordoadas das autoridades? Porém, no Brasil enquanto isso acontece com cidadãos normais menos favorecidos, os cidadãos economicamente favorecidos, quais cometem crimes quando não iguais, piores, estão gozando de liberdades. Em parte, deve-se as manobras políticas ou legislativas, assim como o último adiamento do projeto Ficha Limpa (que provavelmente demorara longos anos para aprovação, afinal, a maioria dos parlamentares brasileiros não poderia ser eleita com sua aprovação). Mas sobretudo, pelas injustiças sociais que assolam o país e infelizmente e injustamente, acabam colocando abaixo o artigo quinto da nossa constituição no ponto de visto de alguns.

Exemplos disso, não faltam onde está Lalau, Arruda, José Dirceu, Genoino, Marcos Valério, Roberto Jefferson e Pimenta Neves? No Brasil é assim, vide está semana os pobres garotos que picharam o Cristo Redentor respondendo por um CRIME (em caixa alta). Qual é o crime deles comparado aos Sanguessugas ou Mensaleiros? Particularmente, fico feliz da tamanha ousadia do protesto. Afinal, quantas vidas este protesto afetou, quantas pessoas ficaram na miséria por está atitude? Aliás, já pararam para pensar, quantas vidas foram afetadas por desvios milionários de verbas públicas?

Fato é, a tinta preta no Cristo não vai fazer ninguém mais rico ou mais pobre. É um protesto que só revolta pessoas que estão fechadas com pré-conceitos políticos ou religiosos, que usam da imagem do Redentor idealizando um status de que tudo que se têm ou se terá advém de nada mais que uma grande escultura de concreto que tem representatividade perante a conjuntura social. Não nego que o Cristo seja símbolo nacional, mas quem iria olhar para um protesto na frente de um bueiro? Em algum momento, os protestos vão piorar, a situação em que vive o brasileiro pagando impostos abusivos e tendo de agüentar corrupção, castelos, cassinos, bordéis, charutos e dinheiro na cueca de seus nobres parlamentares certamente vai acabar inflamando sua população.

Talvez, a tinta preta no Cristo torne-se um marco inicial para isso. Lembro-me que no meu artigo de 07 de setembro do ano passado eu perguntava “Onde eles estão?”, me referindo aos caras pintadas. Enfim começaram a surgir respostas. Em forma de protesto em meu segundo artigo do ano para este semanal, acabei fazendo inúmeras perguntas para você leitor. E continuo perguntando, onde estava a prefeitura do Rio fiscalizando moradias irregulares? Onde está a prefeitura do Rio combatendo bandidos de verdade? Onde estava Sérgio Cabral após os desastres de Angra que precederam os de Niterói? Enfim, que esse grande circo político e de poder que vive o estado fluminense, sirva de exemplo para estados e prefeituras que sofrem das mesmas guerras políticas e disputas de poder e acabam esquecendo dos verdadeiros “buracos”, ou melhor, problemas que existem em sua competência.